Respostas Científicas

particulas_capa5No artigo inaugural deste espaço, gostaria de falar um pouco sobre o tipo de respostas que a ciência pode nos dar. Se você já leu em algum lugar, algo do tipo – “cientistas provaram que…” – está errado. Engana-se quem acha que a ciência prova coisas sobre o mundo. O método científico não foi feito para isso. O que a ciência pode fazer por você é fornecer uma explicação plausível, que possa ser usada com confiança para predizer o comportamento das entidades do universo.

Assim, começa-se com uma hipótese. Essa hipótese deve ser falsificável, ou seja, ela não pode ser trivialmente verdadeira ou impossível de ser rejeitada. Se ela for impossível de ser rejeitada, nenhum conhecimento é ganho com sua confirmação – não é assim que se faz ciência. Uma vez que se determine que ela pode ser rejeitada, então experimentos são elaborados para testá-la. Pode acontecer que os dados experimentais contrariem a hipótese. Ganhamos conhecimento, pois agora sabemos que, o que quer que você tenha modelado, não funciona de acordo com aquela hipótese. Você pode tentar outras e repetir o processo. Pode acontecer que,  com os dados experimentais obtidos, não seja possível rejeitar a hipótese. Usando técnicas adequadas para a elaboração do experimento e para o tratamento dos dados, chega-se à conclusão de que a hipótese não pode ser rejeitada com um certo grau de confiança. A estatística é ferramenta fundamental para isso. Para altos valores de confiança, podemos dizer que os dados confirmam, corroboram, ou dão suporte à hipótese. Isso significa que a hipótese funciona relativamente bem, para aquele conjunto de dados. É óbvio, a partir destas considerações, que o experimento não provou nada. Apenas informa que há evidências a favor da hipótese.

Com mais experimentos semelhantes, é possível aumentar esse grau de confiança. A hipótese também deve gerar consequências, ou seja, predizer fenômenos, que devem ser falsificáveis e, portanto, permitir que outros experimentos sejam propostos e executados.

Em um dado momento, haverá tanta confiança na veracidade da hipótese, que podemos tratá-la como “verdadeira”. É como um crime que ninguém viu ser cometido. Se há uma quantidade enorme de evidências contra um único suspeito, ele será condenado.

Assim nascem as teorias científicas. Coleções de hipóteses, muitas vezes refinadas por novos dados experimentais, que passaram pelos testes de rejeição e nos informam como o mundo funciona, com bastante segurança. Nunca com absoluta certeza, mas com muita confiança. É assim com a gravitação de Einstein, com a teoria do Big-Bang, com a mecânica quântica, com a evolução por seleção de Darwin, etc. São “apenas teorias”, que não são capazes de provar nada, mas passaram pelo teste das eras e nos dão ampla confiança de que é assim que o universo funciona.

Educar-se em ciência permite que se mergulhe no universo e que se veja suas entranhas com os próprios olhos, sem a ilusão de que eles sempre capturam a verdade absoluta.

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